Sa Grama toca a alegria de Pernambuco

Tábua de Pirulito é o sugestivo nome do quarto CD do melhor grupo instrumental de Pernambuco - o Sa Grama. Mais uma demonstração do talento de quem sabe o que faz e porque faz. Nele, um resumo sentimental, amoroso e de respeito pela produção musical de mestres como Clóvis Pereira, Dimas Sedícia, Lourival Oliveira, José Menezes, Luiz Guimarães e Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. E com obras de integrantes do próprio grupo, como Sérgio Campelo, Cláudio Moura e Fábio Delicato. Gente jovem que está renovando a música deste Estado. A composição Tábua de Pirulito , de Sérgio Campelo, foi escolhida para ser o título do CD pela forma e pelo colorido dos pirulitos cravados numa tábua. "A tábua cheia de buracos e as cores dos pirulitos foram associadas às variedades dos ritmos, gêneros, espírito alegre e sonoridades diversas presentes no CD", conta Campelo. O JC OnLine divulga, com exclusividade, algumas faixas do CD.

O CD, porém, tem algumas surpresas: conta com as participações das crianças do Daruê Malungo, do mestre Meia-Noite, na divisa entre Olinda e Recife; do violoncelista Nelson Campos e do violonista Yerko Pinto, ambos do Quinteto de Cordas da Paraíba; do violonista Fred Andrade e do baterista Ebel Perreli; e do percussionista Homero Basílio, ex-Sa Grama). O CD está pronto, mas só será lançado após a Copa do Mundo, em julho. Foi gravado no estúdio Luthier (PE), mixado no Discover (RJ) e masterizado no Estúdio Magic Master (RJ). As 17 faixas de Tábua de Pirulito têm arranjos de Sérgio Campelo, Cláudio Moura, Dimas Sedícias, Clóvis Pereira e Fábio Delicato.

O CD é o mais alegre do Sa Grama. Composições que não fogem ao regional, mas que trazem a graça, a leveza e a beleza dos ritmos nordestinos. Em Guerreiro do Além-mar , composição de Sérgio Campelo, um mestre na arte da flauta e sopros, é uma fusão dos reisados alagoanos migrados de Portugal, explica o autor. E a inspiração sempre esteve praticamente junto do compositor: na periferia do Recife e em algumas cidades de Pernambuco onde ainda se pode encontrar autênticos reisados e guerreiros, "a exemplo do Reisado das Caraíbas na região de Arcoverde, o qual ouvi bastante para compor a minha obra", conta Campelo.

Carnavá na roça, de Lourival Oliveira, tem ritmo junino de polca, mas de difícil execução, peça para quem domina os instrumentos. Em Brilhareto, de Dimas Sedícias, o Sa Grama ganha particular sutileza sonora com o triângulo de carrossel. "O músico sentado num banco toca o ferrinho no triângulo e no banco ao mesmo tempo. Este tipo de baião era comum antigamente nos cabarés do sertão", explica Sérgio Campelo. A obra foi dedicada, pelo autor, à Cia de Dança Perna de Palco.

Em Cantiga , obra do magistral maestro e compositor Clóvis Pereira, que completa 70 anos em maio, o grupo teve a sorte de ter gravado uma versão especialmente concebido para o Sa Grama pelo compositor. A peça foi inicialmente composta para piano e dedicada à uma filha de Clóvis Pereira, em 1969. Posteriormente foi orquestrada para o Movimento Armorial e gravada em 1973 pela Orquestra Armorial de Câmara.

Cantiga é uma peça de ninar que entrou no CD porque Clóvis Pereira encontrou com Sérgio Campelo na rua. "Sérgio, tem um lugarzinho pra mim?", perguntou o maestro de todos. "É todo seu, maestro", anunciou Campelo. A música foi gravada sem ensaio, direta. "Já estava prontinha", conta o líder do grupo.

 
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