Sérgio Campelo volta com Nanã, um "momento reflexivo do orixá Nanã (orixá da chuva, da lama, a matéria-prima da criação)", conta ele. Dedicada à sua mulher, tem a participação do violoncelista Nelson Campos, integrante do Quinteto de Cordas da Paraíba. O Sa Grama selecionou Rabecada , de José Menezes, pela importância que a música tem no cancioneiro nordestino. A obra é baseada em temas com escalas nordestinas. Conta com a participação do primeiro violonista do Quinteto de Cordas da Paraíba, Yerko Pinto, tocando rabeca.
O Sa Grama costuma prestigiar seus componentes e até ex-integrantes. Neste quarto CD incorporou as composições Louvação, Gajeiro e Folia, todas de Cláudio Moura, o responsável pelo violão e viola nordestina do grupo. Louvação tem elementos da Chegança: neste caso, rezas dos marinheiros antes de irem ao mar. Gajeiro, também com elementos da Chegança, tem a participação do Quinteto de Cordas da Paraíba. E Folia é obra que transmite alegria, festa, num compasso rítmico raro de 11/8, adverte Sérgio Campelo. Tem participação do violonista Fred Andrade e do baterista Ebel Perreli.

De Luiz Guimarães, o novo CD do Sa Grama selecionou Urupema , um baião jazzístico e bem dissonante com momentos de pura improvisação. No lugar da zabumba, conta Campelo, o grupo decidiu marcar o ritmo com congas. Légua Tirana, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, é valsa triste com melancolia. O ritmo é marcado pelo cajon (instrumento de percussão em forma de caixa de madeira), conta Sérgio Campelo.

Tábua de Pirulito , que dá nome ao CD do Sá Grama, é de autoria de Sérgio Campelo. Obra cômica com bastante jogo de timbres sonoros. "Um xote com marcação acentuada e variações. As pausas (momento de silêncio) dos instrumentos de percussão são preenchidas com sopros e vice-versa", conta o autor.

Onde navego é outra composição de Sérgio Campelo. Música feita especialmente para trilha do filme da TV Escola intitulado Brasil-império, dirigido por Fátima Accetti e Cynthia Falcão. Uma realização da Fundação Joaquim Nabuco. Já Lamento Ribadêro é a estréia como compositor do violinista do Sa Grama, Fábio Delicato. A música tem uma versão para cordas que é tocada pela Orquestra de Câmara do Conservatório Pernambucano de Música.

Papagaio de papel, de Dimas Sedícias, é uma das melhores traduções musicais do compositor pernambucano. Ele consegue, através de sons, simular todo o ritual de se empinar uma pipa (papagaio de papel). De Sérgio Campelo há ainda Cauin , obra nitidamente inspirada nos ritmos de tribos indígenas do nordeste.

E o CD não poderia terminar de melhor forma: com a deliciosa composição de Dimas Sedícias e Romero Amorim denominada Pé de camurçá. Uma La Ursa, brincadeira onde crianças durante o carnaval, saem às ruas pedindo dinheiro nas casas. Participação das crianças do Daruê Malungo, do mestre Meia-Noite.

Ficha técnica:
O Sa Grama é formado por Sérgio Campelo (flautas), Frederica Bourgeois (flautas), Crisóstomo Santos (clarinetes), Cláudio Moura (violão e viola nordestina), Fábio Delicato (violão), João Pimenta (contrabaixo), Antônio Barreto (marimba, vibrafone, xilofone e percussão), Tarcísio Resende (percussão) e Gilberto Campello (percussão). Uma produção que foi possível graça à Lei de Incentivo à Cultura da Prefeitura do Recife, com apoio do Bandepe. Com apresentação do crítico Tárik de Souza.


*Texto extraído do JC Online ( www.jc.com.br ) na seção Cultura
coluna de Paulo Sérgio Scarpa




 
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